segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Professores da Escola Cecilia Meireles Extensão Participaram do

12 Fórum Regional em Educação de Xaxim

O Fórum da Educação teve como propósito, reunir diferentes tipos de educadores para uma reflexão sobre o conceito de formação dos professores. Ao abrir oficialmente o evento, o Prefeito de Xaxim, Luis Felipe Diniz Fagundes destacou que é possível melhorar uma escola e sua educação através da valorização de seus profissionais. É neste sentido que o Governo Municipal trabalha, afirmou.
Conforme o Secretário de Educação e Cultura de Xaxim, Gildomar Michelon, a intenção do Fórum foi mobilizar a sociedade para discussão de políticas educacionais, promovendo a articulação entre órgãos e segmentos da sociedade civil envolvida no processo de formação do cidadão.
Palestrou no evento o Doutor em Filosofia e História da Educação - Unicamp, Cesar Nunes; Professor de Filosofia da Educação da Faculdade de Educação da Unicamp e Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas PAIDEIA. Durante a palestra o Doutor destacou a importância da educação, humanização e cidadania, a questão da reorganização da escola e do espaço pedagógico diante dos novos direitos civis e sociais no Brasil.
Na abertura do evento, o Hino Nacional Brasileiro foi interpretado, com instrumentos de sopro, por artistas da Casa da Cultura de Xaxim: Wagner Knape, Gustavo Lima Prates e André Knoner. Durante o Fórum, houve também a apresentação da peça teatral [UTF-8?]“Liberdade e Arte na Corda [UTF-8?]Bambaâ€, do Grupo de Teatro, Vertente Teatral, do Assentamento José Maria de Abelardo Luz - grupo coordenado pelo professor Avito Correia. 

Reflexão sobre a humanização da educação...
Ao soar a sineta escolar nos indicar que mais um período inicia-se. Dirigimo-nos à sala de aula, formação das filas meninos após as meninas. As reclamações que “fulano” interferiu à brincadeira do elástico das meninas e que “fulana” se meteu no jogo de futebol dos meninos... a mais famosa frase.... não quero saber de fofocas... futebol é para os meninos e o elástico é coisa de meninas. Que linguagem é essa?
Currículos, normas, procedimentos de ensino, teorias, linguagens, materiais didáticos, processos de avaliação, organização, prédios, docentes, regulamentos. Servida de símbolos e códigos, a instituição escolar, informa com seus arranjos arquitetônicos, suas marcas e símbolos a sua razão de existir, a formação do sujeito. Mas que formação? Que sujeito?
A escola mantém desde o século XIX, duas funções: garantir o ensino e a aprendizagem e promover a socialização.
De acordo com Libâneo (2005) , “a escola ensina conteúdos do século XIX, com professores do século XX, para alunos do século XXI”.
Passamos nove anos no ensino fundamental e três anos no ensino médio e saímos da escola sem saber falar, ler, escrever e ouvir. A escola se preocupa em nos preparar para os vestibulares, onde vemos a todo final de processo seletivo os absurdos em redações, pois nos falta à interpretação. Ao sairmos para o mercado de trabalho o problema continua diante que ao longo de nossa jornada escolar apenas fizemos o que nos mandavam. Informações tivemos bastante mais transformadas em conhecimentos com ligação a nossa vida real e cotidiana a escola ainda deixa a desejar.
Para Werneck (2008) , “as escolas tem quatro “ds”: deslumbramento, decepção, desespero, demência...”.
Ao iniciarmos nossa vida escolar passamos pelo primeiro “d”, o deslumbramento. Adoramos ir para a escola, pois lá aprenderemos coisas novas, iremos dominar o uso do lápis, escrever, ler, fazer cálculos. A escola se torna nossa casa, o melhor lugar que passamos por um curto tempo de quatro horas. Temos fascinação e paixão pelos nossos professores. Quem não se lembra da sua primeira professora? Quando aprendemos algo novo é uma vitória uma superação que logo contamos para todos que nos rodeiam. Os primeiros anos são mágicos. 
À medida que avançamos nos estudos o segundo “d” aparece, a decepção. A escola já não é um lugar mais tão agradável, os professores passam 200 dias letivos e nem se quer gravam o nome, ou se sentam para conversar sobre quem somos e que desejamos, nos conhecem superficialmente. Os conteúdos são os mesmos, alguns com um pouco de grau de dificuldade. Às quatro horas agradáveis agora são de puro desapontamento.
O terceiro “d” vem gerado de resolva, angústia, contrariedade. O “d” do desespero trás consigo a revolta de uma educação de migalhas, o que irei aproveitar da minha vida escolar? A escola é o lugar em que não quero estar à rua me transmite mais informações. Os professores estão desmotivados, seu ensino é uniforme não se adaptando ao ritmo dos alunos.
Ao término de nossa caminhada escolar temos o quarto “d”, a demência. Estamos desorientados, deslocados em uma sociedade desenfreada cientificamente e tecnologicamente. Professores? Escola? Somos reprodução do sistema tradicional.
“Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para esvaziar e sensibilidade para aprender”, afirma Cury (2003). Os grandes educadores são aqueles seres humanos que penetram no coração dos educandos, que falam a sua linguagem, que exemplificam seus ensinos com ações, que valorizam a busca do que a decoreba, os resultados prontos, que estimula, apoiam, criticam.
Grandes educadores são aqueles seres humanos que vão à busca da mudança, que atraem, encantam e ao mesmo tempo assustam com versatilidade de ferramentas utilizadas no processo ensino aprendizagem.
Utilizar-se de grandes e potentes ferramentas não quer dizer que teremos a solução do analfabetismo funcional, que acabaremos com a evasão escolar os mesmos só terão sentido e efeito quando bem utilizados.
Hoje, as palavras de Cesar Nunes, ecoaram... Nossa educação está “doente”. Mas a mesma só irá “cura-se” quando houver humanização em nossas práticas. Sei que não é fácil nossa tarefa, ela é árdua, mas ao mesmo tempo prazerosa e gratificante. O que ouvimos hoje faça-nos refletir sobre nossas ações... e se não tivermos quem nos estimule, que sejamos nós mesmos nossos próprios instigadores.